11. AS REDES SOCIAIS DE APOIO EM FAMÍLIAS DE CAMADAS POPULARES

STELLA MARIA P. SIMIONATO TOZO. PUC MINAS, BELO HORIZONTE - MG - BRASIL.

As famílias são um espaço privilegiado de socialização, e têm um papel fundamental ao proporcionar aportes afetivos e materiais necessários ao desenvolvimento e bem estar de seus membros, sendo também o lugar em que se aprofundam os laços de solidariedade (Ferrari & Kaloustian, 2004). Estudos sobre as famílias de camadas populares têm destacado as dificuldades pelas quais estas passam, como o desemprego e os baixos níveis de remuneração, sendo que estes inviabilizam os projetos masculinos e femininos, o que leva o homem muitas vezes ao abandono da família (Sarti, 1995). Os censos mais recentes têm demonstrado o crescimento no número de separações e das famílias monoparentais femininas. Tão importante quanto a dinâmica interna de funcionamento familiar, outros sistemas fora da família exercem influência no desenvolvimento da família e de seus membros, como a escola, o local de trabalho, a vizinhança, a comunidade e a rede social. A rede social de apoio vem sendo destacada como um dos fatores responsáveis pela manutenção do equilíbrio e da dinâmica familiar (Dessen & Braz, 2000). Esta pesquisa tem o objetivo de colaborar na compreensão da diferença existente na busca de proporcionar qualidade de vida a seus membros, investigando quais recursos dispõem, em uma cidade da região metropolitana de Belo Horizonte – MG, entre famílias com configuração nuclear e  famílias que tem mulheres como suas  responsáveis, em camadas populares. Para este trabalho foram selecionadas 10 famílias nucleares e 10 famílias monoparentais femininas, entrevistadas a partir de um roteiro semi-estruturado, e posteriormente realizou-se uma análise qualitativa dos dados. Através dos resultados alcançados, pode-se perceber a necessidade de se trabalhar com estas famílias, principalmente às famílias monoparentais femininas, o resgate de suas capacidades, de seu valor, de seus recursos, muitas vezes escondidos sob a forma de relatos de vergonha e falta de confiança, em si mesmas e nos outros próximos. Também as variáveis macrossociais afetam diretamente a vida destes indivíduos e de suas famílias, e grupos sociais submersos na pobreza muitas vezes demonstram a falta de controle do seu meio, sendo estas experiências co-construídas pelas instituições e agências sociais com as quais o sujeito interage, gerando-lhes falta de esperança. Acredita-se que estes dados possam trazer alguns subsídios a respeito da rede de apoio social, sugerindo caminhos relevantes para o desenvolvimento de políticas e programas de saúde para diferentes configurações familiares.(CNPq). Referências: Dessen, M. A. & Braz, M. P. (2000) Rede Social de Apoio durante transições familiares decorrentes do nascimento de filhos. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 16, n. 3, p. 221-231.  Ferrari, M.& Kaloustian, S. M. (2004) Introdução. In: Kaloustian, S. M. (Org.) Família Brasileira, a base de tudo. 6a ed. São Paulo: Cortez; Brasília, DF:UNICEF.  Sarti, C.A. (1995) O valor da família para os pobres. In: Ribeiro,I. & Ribeiro, A.C. (Orgs.) Famílias em processos contemporâneos: inovações culturais na sociedade brasileira. São Paulo: Edições Loyola,  p.131-150