07. ALCOOLISMO FEMININO E AS RELAÇÕES DE CODEPENDÊNCIA NA FAMÍLIA

CLAUDIA PEREIRA RIBEIRO LEIRIA; CLAUDIA DE AQUINO DURÃES; ROSANE TEIXEIRA DE OLIVEIRA. CAAPSY, NITERÓI - RJ - BRASIL.

A Síndrome de Dependência do Álcool é um fenômeno complexo, com múltiplas causas, envolvendo não só aspectos biológicos, mas também psicológicos sociais e familiares (Edwards, et al., 2005). Em geral, a presença do uso do álcool produz muito desconforto, sofrimento psíquico e crises no sistema familiar. O abuso e a consequente dependência química podem ser considerados indicadores de uma dinâmica familiar comprometida, e, o acometimento de um de seus membros, um dos fatores responsáveis por essa disfuncionalidade. Esse olhar coloca a dependência química como doença e sintoma do sistema familiar, retroalimentando e sendo retroalimentada pela homeostase disfuncional do sistema (Stanton, et al., 1999). Segundo o Iº Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil, realizado em 2001, pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), a pedido da Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD), a prevalência da dependência do álcool entre o sexo masculino é de 17,1%, enquanto para o sexo feminino é de 5,7%. Embora tais diferenças se mantenham em termos globais, o uso do álcool entre as mulheres vem crescendo com as mudanças sociais, tendendo a igualar-se à prevalência masculina. As mulheres alcoolistas constituem um subgrupo diferenciado dos homens dependentes do álcool. São mais vulneráveis às conseqüências negativas deste uso, apresentam maior número de antecedentes familiares, maior número de transtornos psiquiátricos associados à dependência, além de maior número de tentativas de suicídios. Com características fisiológicas e psicossociais distintas das dos homens, sofrem abertamente o estigma social, o que retarda o diagnóstico precoce e prejudica o tratamento necessário (Edwards, et al., 2005). Portanto, nosso objetivo é refletir sobre o alcoolismo feminino e suas especificidades, levando em consideração as relações de co-dependência que se estabelecem na família. A partir de uma breve exposição de cenas do filme - “Quando um Homem Ama uma Mulher” (When a Man Loves a Woman), do Diretor Luis Mandoki (1994), falaremos a respeito de como, em muitos casos, a co-dependência é mais difícil de ser aceita e tratada; a falsa noção de que as crianças não sabem do que se passa; e os caminhos possíveis para tratamento de todo o sistema familiar. Referências Bibliográficas: Carline, E. A.; Galduróz, J. C. F.; Noto A. R.; Nappo, S. A. (2002) Iº levantamento domiciliar sobre o uso de drogas psicotrópicas no Brasil - 2001. São Paulo: CEBRID- Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas. Departamento de Psicobiologia/UNIFESP- Universidade Federal de São Paulo, 380p. Edwards, G.; Marshall, E. J.; Cook, C. C. H. (2005). O tratamento do alcoolismo - um guia para profissionais de saúde. Porto Alegre: Artmed. Stanton, M. D.; Todd, T.; et al. (1999). Terapia familiar del abuso y adiccion a las drogas. Barcelona: Gedisa, 1999.