05. A FAMÍLIA E O SUICÍDIO: ENTRE A CRUZ E A ESPADA

CIBELE ALVES CHAPADEIRO; TARCILA BARBOZA SILVA. UFTM, UBERABA - MG - BRASIL.

Este trabalho é um relato de um atendimento de um casal, cuja queixa principal era a preocupação com o filho T., que tentou suicídio por enforcamento um ano atrás e os pais não sabiam o motivo. A mãe V. procurou a clínica-escola em busca de atendimento para a família, mas compareceram para terapia ela e o marido M. V., 50 anos, era manicure e vendedora em seu domicílio e M., também 50 anos, era construtor civil. O objetivo inicial da terapia sistêmica breve foi compreender melhor a queixa do casal em relação ao filho T. Referiram que T., 29 anos, era um filho maravilhoso e obediente. T. era casado e tinha dois filhos, um menino de oito anos com dificuldade na escola e uma menina de quatro anos. O casal referiu que a esposa de T. era agressiva, bruta com os filhos, não os ajudava nas tarefas escolares e não aceitava palpites de V., a sogra. V. acreditava que os netos sofriam com as discussões dos seus pais, mas que seu filho T. também não colocava limites na situação. Moravam todos na mesma casa de M. e V., mas dividiam o espaço que habitavam por exigência da nora. M. e V. achavam que deveriam mudar com T., proteger menos, mas não conseguiam. Achavam que T. estava entre a “cruz e a espada”, entre os pais e a esposa. T. não veio para as sessões e V. achava inconveniente a presença da nora. Assim, as sessões prosseguiram com questões do casal V. e M. Eles iniciaram sua união estável com 17 anos, com a gravidez de V. Moraram na casa dos pais de V., mas ao M. se desentender com a sogra, assim como V. e a nora atualmente, mudaram de casa. Na vida em comum, M. era ausente, tinha relacionamentos extraconjugais e fazia uso abusivo de álcool. A primeira filha morreu antes dos dois anos de idade, então nasceu T. A terceira filha viveu cinco dias. Assim, T. ficou sendo único filho, com o qual o casal triangulou. M. interrompeu o uso de álcool ao bater em T. achando ser outro homem. A terapia se direcionou para o fato de V. estar reavaliando sua vida e revelou aprendizado com a nora. Investiu no seu processo de diferenciação. M. se propôs a viver cada dia por vez. Este processo terapêutico se constituiu da avaliação e mudança do relacionamento do casal, o que provavelmente ajudaria o comportamento sintomático do filho. Isto provavelmente aconteceu, porque o filho T. inscreveu-se para terapia de sua família, em seguida. REFERÊNCIAS Anton, I.L.C. (2002) Homem e Mulher: seus vínculos secretos. Porto Alegre: Artmed Editora. Nichols, M.P. ; Schwartz, R.C. (2007) Terapia Familiar: conceitos e métodos. Porto Alegre: Artmed Editora. Piszezman, M.L.R.M. (1999) Terapia Familiar Breve: uma nova abordagem terapêutica em instituições. São Paulo: Casa do Psicólogo.