Edilene Joceli de Almeida e Alberto Scofano Mainieri

Edilene Joceli de Almeida e Alberto Scofano Mainieri

DIÁLOGOS INTERATIVOS: “Filhos do Funk”
Edilene Joceli de Almeida
Psicóloga clínica.
Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre/ Serviço de Atendimento Especializado em HIV/Aids.
Especialista em informação e comunicação em saúde/Fiocruz e em psicoterapia/IFP.
Ênfase em perdas e lutos e aconselhamento psicológico para pessoas vivendo com HIV.

Título da Palestra:“Face a Face com os Filhos e Filhas portadores do HIV: sexo e gravidez em tempos de epidemia”

RESUMO:
A epidemia mundial pelo vírus do HIV se revela nas diferentes faixas etárias. Sobretudo na infância e na adolescência nos implica de forma diferente, seja enquanto pais, mães, psicoterapeutas, médicos ou educadores.
Os dados epidemiológicos de Porto Alegre*, capital/cidade com as mais altas taxas de detecção do Brasil, mostram informações relevantes que trazem a tona este complexo problema de saúde pública: de 1983(início da epidemia) até junho 2015 foram notificados 27.278 casos de Aids, sendo 96,5% e em pessoas maiores de 13 anos e 3,5% em crianças menores de 13 anos; sendo que 2,9 % das crianças expostas ao HIV (transmissão vertical = da mãe para o bebê) em 2012 acabaram infectadas, quando a meta da OMS/OPAS é de taxas menores que 2%. Um dos fatores de vulnerabilidade em relação à transmissão vertical é a gravidez precoce na juventude relacionada com comportamento social e sexual de risco. Tomamos como exemplo alguns bailes funk ou festas Rave onde práticas sexuais coletivas, múltiplas e desprotegidas disseminam HIV e outras ISTs, além de gravidez inconsequente. A já popular expressão “filhos do funk” (ou “do rave”) alerta para a filiação anônima e impessoal, logo tende a prevalecer a não implicação da jovem com a gravidez. Consequentemente os cuidados com o feto e com o bebê no pré-natal, parto, puerpério e maternagem não existem ou são precários, e nos casos destas jovens mulheres serem portadoras do vírus ainda infectam os bebês. As implicações objetivas e subjetivas de ser portador do HIV, do medo da morte ao medo da rejeição/humilhação, levam a negação do diagnóstico e ao isolamento, transformando-se nos maiores empecilhos do cuidado face a face e consequentemente do controle da epidemia.
*Boletim epidemiológico nº 58/ agosto 2015/ Equipe de vigilância das doenças transmissíveis/Coordenação geral de vigilância em saúde/Secretaria municipal de saúde de Porto Alegre.

Alberto Scofano Mainieri
Médico pediatra, Hebiatra, terapeuta de família, Doutor em medicina, Endocrinologia, especialista em Pediatria, Medicina do Adolescente e em Atendimento clínico psicológico com ênfase em terapia de casal e família.
Doutor em Ciências Médicas: Endocrinologia.
Professor de medicina da UFRGS, atual coordenador da COMGRAD/Medicina.

Título da Palestra: "O desenvolvimento neurológico, o processo de adolescer e as questões sexuais no mundo onde tudo acontece antes do tempo”

RESUMO:
O desenvolvimento cognitivo da criança sabidamente tem forte correlação com o seu desenvolvimento neurológico, mas também é influenciado pelo meio em que ela está inserida. O processo de adolescer também tem as mesmas correlações e para entendermos as repercussões do meio nesta evolução se faz válido entender as etapas neurológicas e biológicas.
Podemos fazer inúmeros paralelos entre o que se sabe ser adequado esperar e exigir de uma criança e suas etapas de desenvolvimento. O mesmo se aplica para a etapa da adolescência, porém carece de uma atenção adequada por parte da sociedade e das famílias. Ao expormos uma criança ou adolescente a exigências ou experiências para os quais ela ainda não está neurologicamente e cognitivamente preparada estamos correndo o risco de repercussões inadequadas e consequências em diversos campos.
O exemplo que aqui queremos abordar é o relacionado as questões do desenvolvimento e das vivências sexuais. A precocidade em que expomos as crianças e jovens a dados, fatos e experiências nesta área são no mínimo temerárias e potencialmente causadoras de danos. Como esperar que um adolescente de 14 anos saiba lidar com riscos se seu cérebro ainda não completou a maturação da área responsável pelas análises críticas, mas que, no contraponto, tem a área cerebral envolvida com os impulsividade bastante capacitada?
Talvez devamos pensar no papel que os pais ou cuidadores, e incluo aqui todo o sistema social, na formação da criança e do adolescente na busca por um futuro saudável integralmente.