Isabela Machado e Katy Ziegler

Isabela Machado e Katy Ziegler

DIÁLOGOS INTERATIVOS: Reprodução Assistida
Isabela Machado
Psicóloga, mestre e doutora em Psicologia com especialização em terapia de família.
Professora do Departamento de Psicologia Clínica (PCL) e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica e Cultura (PPG-PsiCC) da Universidade de Brasília (UnB).
Membro do Laboratório de Famílias, Grupos e Comunidades (LABFAM).

RESUMO:
Possibilidades de atuação do terapeuta de casais e famílias junto ao casal infértil


Nesta comunicação, serão discutidas as implicações conjugais e familiares da infertilidade conjugal, bem como as possibilidades de atuação do terapeuta de casais e famílias nesse contexto. A infertilidade pode ser considerada como um estressor inesperado no ciclo de vida da família, do casal e do indivíduo, despertando sentimentos que repercutem em suas relações. Os benefícios e a importância da atuação de profissionais da área da saúde mental nesse contexto têm sido cada vez mais reconhecidos. Trata-se, portanto, de um potencial campo de atuação para os terapeutas de casais e famílias, que podem trabalhar na avaliação e no atendimento a esses casais, além de fazerem parte de equipes interdisciplinares em hospitais e clínicas. A relevância dos relacionamentos conjugais e familiares para a experiência da infertilidade se mostra de diferentes formas, havendo uma relação bidirecional entre a infertilidade e os relacionamentos. De acordo com a literatura, a infertilidade pode contribuir tanto para a aproximação como para o distanciamento do casal, ao mesmo tempo em que a qualidade da relação conjugal tende a influenciar a vivência dessa experiência, sendo necessário considerar a comunicação, a coesão, a flexibilidade e a afetividade/sexualidade do casal, entre outros fatores. A forma como o casal lidará com esse evento estará relacionada ainda ao apoio disponibilizado pela família, à sua história e de sua família de origem, bem como aos padrões interacionais, às crenças, aos valores e aos mitos familiares. Por fim, pode ser preciso abordar questões relativas à parentalidade e à coparentalidade, caso esses casais optem pela adoção ou consigam conceber com o auxílio das técnicas de reprodução assistida. O terapeuta de casais e famílias dispõe de recursos que poderão tanto auxiliar o casal a compreender os fatores que permeiam sua vivência, como a reforçar e desenvolver padrões e habilidades relacionais que se mostrem favoráveis e necessários. O trabalho com as narrativas, a construção da linha da vida e do genograma familiar, bem como o uso de técnicas voltadas à coesão, à flexibilidade e à comunicação conjugal e familiar podem se mostrar úteis para esse fim. É necessário, no entanto, que os terapeutas de casais e famílias se informem acerca das particularidades desse contexto para que possam bem auxiliar esses casais.

Katy Ziegler
Psicóloga Especializada em Psicologia Clinica. >
Terapeuta de Casais e Família. >
Professora do Curso de Formação em Terapia Sistêmica no CEFI. >
Psicóloga da Clínica Próser de Reprodução Assistida. >
Membro da Diretoria da AGATEF. >
RESUMO:um sonho realizado x a busca da perfeição
O trabalho aborda a técnica de reprodução assistida, não meramente como um avanço tecnológico à serviço dos casais impedidos de exercerem suas funções parentais de forma biológica. Mas, principalmente, aborda como os novos métodos possibilitam a estes concretizarem um sonho tão desejado: o desejo de ter um filho, respeitando os limites morais. >
Contextualizando este sonho, somos obrigados a analisar as implicações emocionais que os casais enfrentam, quando se deparam com a medicina, substituindo os papéis de homem e mulher e por consequência, também um suporte à função parental. >
Em função do nosso modelo social e cultural, os casais sentem-se íntegros ao conseguir cumprir com estes mandatos esperados pela sociedade. >
Qualquer impedimento a esta construção social, significa lidar com a infertilidade como obstáculo ao projeto de vida da maioria dos casais. >
É importante que tenhamos em mente, que as técnicas de reprodução assistida caminham lado a lado com as novas configurações familiares e que novos contextos, começam a surgir nesta diversidade. >
Um dos maiores desafios para os profissionais que se propõem a trabalhar nestes contextos contemporâneos é auxiliar estas famílias para que não percam o objetivo maior. Não reduzindo, algo tão sublime como ter um filho, na busca desenfreada de um filho biológico a qualquer preço. >
Penso que o cuidado esteja em avaliar e acompanhar estes casais, proporcionando novas oportunidades que a medicina oferece não perdendo de vista o limite inexorável da vida, a ética. >