Marli Olina de Souza e Cristina Villaça

Marli Olina de Souza e Cristina Villaça

DIÁLOGOS INTERATIVOS: "Terapia Comunitária"
Marli Olina de Souza

As. Social, Psicóloga, Ms. em Metodologia do S.Social, Mr. em Teologia, Terapeuta Familiar e Casal.
Terapeuta Comunitária, Capacitação em Resiliência pela PUC\SP.
- Presidente da Associação Gaucha de Terapia Familiar- AGATEF- 2004-2006
-Presidente da Associação Brasileira de Terapia Comunitária – 2007-2009
-Presidente da Associação Brasileira e Terapia Comunitária – 2015- 2017
-Supervisora, orientadora, formadora e coordenadora geral do Centro de Ensino, Atendimento e Pesquisa do Ind. Família e Comunidade CAIFCOM – Porto Alegre/RS e Suas gerencias de Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e Pará.
-Coordenadora dos Cursos de Especialização em Terapia Familiar e Comunitária da Faculdade Evangélica do Meio Norte- FAEME.
-Responsável técnica pela Comunidade Terapêutica Revive/Gravataí-RS, Convenio com o SENAD. (Fazenda de Recuperação) de substancias psicoativas.
-Profª Convidada da Universidade IMED de Passo Fundo para o Curso de Especialização em Terapia Familiar.
-Formadora em Terapia Comunitária pelo Ministério da Saúde, 2008-2009, 2010 e 2013.
Formadora em Terapia Comunitária em diversos Municípios do Rio Grande do Sul e Santa Catarina para técnicos da Saude e Educação, dentro do Programa qualifica SUS.

Título da Palestra: "Terapia Comunitária Integrativa na Redução do Estresse e Aumento da Autoestima"

RESUMO:

O maior obstáculo aos trabalhos comunitários e institucionais é a baixa auto-estima das pessoas. A internalização da miséria e dos estereótipos veiculados pela sociedade funciona como forte empecilho a todo trabalho de integração e desenvolvimento individual e social.
Necessitamos capacitar os profissionais da área de saúde, da área social e da educacional para que eles possam aprender técnicas grupais do resgate da autoestima e do autoconhecimento que lhes permitam utilizá-las junto aos usuários.
A realidade social exige cada vez mais dos profissionais o conhecimento e a manipulação de técnicas, que lhes permitam realizar um trabalho grupal preventivo, incluindo todos os atores sociais numa perspectiva multidisciplinar (psicologia, educação, assistência social, antropologia) e transcultural, incluindo terapeutas populares de várias etnias e culturas.
A utilização dessas técnicas junto aos grupos de jovens, idosos, famílias, adultos tem demonstrado ser um instrumento importante para resgatar o “saber fruto da vivência” de cada um, para que este saber torne-se um instrumento fundamental no trabalho de inserção social e resgate da cidadania.
Vale salientar que se trata de um trabalho de cunho preventivo. Com as reflexões teóricas e a prática das dinâmicas utilizadas, oportuniza às pessoas uma atividade corporal a fim de combater o estresse e tomar consciência da importância de agir antes da doença se instalar. Acreditamos, pois, que mais vale prevenir do que remediar.
Todo sofrimento é uma construção humana, dizia um poeta da comunidade de Quatro Varas de Fortaleza .De fato, compreender que cada um de nós detém a chave do seu sucesso e do seu fracasso é um importante passo para nos livrarmos de um sentimento de impotência diante de acontecimentos produtores de sofrimento.
Esse Sentimento de impotência provém do fato de não compreendermos o que está acontecendo, e por isso passamos a ter medo de tudo e de todos. Nos isolamos e ficamos bloqueados porque não dispomos de elementos que nos permitem pensar, refletir: única maneira de encontrar uma saída.
A autoestima é a chave que nos possibilita sair dessas situações, aparentemente sem solução. Ela é a chave de nossa felicidade ou infelicidade. Ela encoraja ou desencoraja nossos pensamentos e sentimentos.
A autoestima nos conduz à “felicidade”. Quando acreditamos em nós mesmos e na nossa capacidade de superar obstáculos, nos sentimos mais confiantes, mais seguros e mais persistentes na busca do sucesso de nossos atos. Nessa caminhada, as quedas são atribuídas às nossas falhas. Assumimos nossos erros, nos corrigimos e prosseguimos com maior confiança em nossa capacidade de superação. Só se pode agir desta maneira quando compreendemos o que está acontecendo, quando nos sentimos sujeito. Nossa preocupação é curtir a vida de forma prazerosa.
O sofrimento é visto como uma sina, como sendo ocasionado por pessoas más, por espíritos maus ou ainda por forças ocultas e sempre externas. Quando desconhecemos o nosso grau de participação nesse processo gerador de infelicidade, nos tornamos adversários de nós mesmos. Tudo se torna ameaçador quando não acreditamos em nosso potencial. Nossa preocupação primeira é de evitar o sofrimento e buscar a acomodação e evitar todo desafio, visto como ameaçador. Diz um filósofo alemão: “O homem que não tem a sua história presente em sua memória está condenado a repeti-la”
Outro aspecto importante, quando se fala em autoestima, é que ela passa pela rede relacional familiar e contextual, ou seja, a consciência que se tem de si nasce de uma relação de comunicação com o outro. É dessa relação que nascem dois fundamentais questionamentos: Quem sou? Do que sou capaz? Montando dessa forma o autoconceito. Partindo desse pressuposto, podemos deduzir que:
==> Se sou confirmado, me sinto amado, seguro, tenho boa autoestima. Estou de bem com a vida, posso assumir compromissos, me engajar com a realidade, sinto-me motivado com as minhas opções, dando-me o sentido de ser pessoa, de ser alguém, ser feliz. Não estou isento de deslizes ou desvios, mas sinto-me capaz de superar as minhas limitações, frustrações, transcender as dores.
==> Se sou rejeitado ou denegado, exposto ao ridículo, à humilhação, tenho baixa autoestima. Sinto-me infeliz e tenho dificuldade de me aceitar, me amar e dar a minha contribuição. Procuro muito mais evitar a dor do que vivenciar, sentir prazer. Não percebo engajamento, comprometimento com o meu desabrochar na vida. Tenho vergonha da minha história de pobreza, de rejeição, abandono e exclusão. Sinto-me desmotivado.
Como acabamos de analisar, as relações familiares são a bússola que pode nos conduzir para o bem viver, quando presente uma educação baseada no amor, no respeito, na valorização, na competência e bondade do individuo. Porém, quando vivemos num clima de desqualificação e exposição a maltrato físico e emocional, a autoestima atrofia-se e perdemos a bússola que pode nos conduzir ao relacionamento saudável. E quando, além desses aspectos, intervêm contextos anônimos, fragmentados, caracterizados por violência, estereótipos, exclusão social, repressão, preconceito, internalização da miséria? E quando é gerada a síndrome da pobreza, psíquica, resultado da perda de confiança em si, levando ao isolamento, a uma atitude de fracasso, à autodesvalorização, à dependência e ao Estresse?

Diante dessa realidade nos deparamos com os seguintes desafios:

1) Como trabalhar estas situações de descrença em si, a nível comunitário?
2) Seria possível prevenir estas situações e gerar uma dinâmica transformadora?
3) Como ajudar pessoas com baixa autoestima e se livrarem deste sentimento de menos valia de capacidades?
4) Que técnicas poderiam ser utilizadas que gerassem autoconhecimento e tivessem impacto familiar e social?
5) Como cuidar dos cuidadores?

Para tanto, a nossa proposta é a seguinte:

1) Identificar o potencial da pessoa e de sua cultura, mobilizando-o a serviço das dinâmicas individuais e coletivas;
2) Articular o potencial humano e cultural com o conhecimento técnico científico;
3) Fazer as pessoas descobrirem que são sujeitos, que são capazes e podem cuidar de si.
Portanto, precisamos conhecer os mecanismos da autoestima para podermos intervir no seu processo, mobilizando as pessoas a explorarem o seu potencial para gozarem dos benefícios geradores de “bem viver”.
Dessa forma, usamos de vivencias, do resgate da autoestima e de Rodas de Terapia Comunitária Integrativa, objetivando oferecer um espaço de Fala, Escuta e Vínculos para profissionais de todas as áreas de cuidados que estejam em Capacitação e também para a comunidade de uma forma geral.
Atualmente contamos com um numero de 35.000 terapeutas comunitários trabalhando em praticamente todo Brasil. O convênio com SENAD e Ministério da Saude em regiões com calamidades. Também implantado a TCI em vários Países da America Latina, na Europa, África entre outros que, estão iniciando o processo.

PALAVRA CHAVE: Autoestima. Terapia Comunitária. Autorresponsabilidade.

Cristina Villaça
Especialista em terapia relacional sistêmica (família, casal, individual), em terapia comunitária;
formação básica no uso do desenho em terapia, em mediação de conflitos;
trabalho em relações humanas - relacionamentos e integração de equipes em empresas;
assistente social, professora.
1a secretária da Associação de Terapia de Família-RJ, gestão 2014-2016;
membro da ATF–RJ e ABRATEF (Associação Brasileira de Terapia de Família);
membro colaborador e da equipe de formação do Cefai – Centro de Estudos da Infância e Adolescência, RJ;
membro colaborador do Instituto Noos, RJ.

Título da Palestra: "Terapia Comunitária – uma terapia democrática, social e brasileira"

RESUMO:

Apresentação de um breve histórico e contextualização da criação da terapia comunitária, de pontos básicos de sua metodologia, seguidos de relato sobre minha experiência nessa área.